Toda vez que um cliente abre uma operação, a corretora precisa decidir o que acontece com o outro lado dela. Ou a operação é repassada ao mercado por meio de um provedor de liquidez, ou a própria corretora assume o lado contrário. Essa única decisão é o que separa uma corretora A-book de uma B-book, e ela define a sua receita, o seu risco e a tecnologia de que você precisa.
A-book: repassar as operações ao mercado
Uma corretora A-book encaminha cada ordem do cliente a um provedor de liquidez externo, normalmente por meio de um bridge. A corretora é uma intermediária. Ela ganha uma margem sobre o spread, uma comissão por lote ou as duas coisas, e não importa para ela se o cliente ganha ou perde.
- Receita: margem sobre o spread e comissão sobre o volume. Constante, mas pequena por operação.
- Risco: baixo risco de mercado, mas você depende de volume e precisa de um depósito de margem junto ao provedor de liquidez, muitas vezes cotado em US$ 50.000 ou mais.
- Tecnologia: uma plataforma de trading, um bridge e uma relação com um provedor de liquidez, cada um com seus próprios custos.
- Outros nomes: STP (straight through processing), ECN ou no dealing desk, embora esses termos sejam usados de forma bem livre no marketing.
B-book: assumir o lado contrário
Uma corretora B-book mantém as operações dentro de casa e se torna a contraparte. Se um cliente compra um lote de EUR/USD, a corretora fica, na prática, vendida nesse lote. Quando o cliente perde, a corretora fica com a perda. Quando o cliente ganha, a corretora paga.
- Receita: spreads e comissões em cada operação, mais as perdas líquidas de trading dos clientes.
- Risco: você assume o risco de mercado. Um cliente que lucra de forma consistente, ou muitos clientes que acertam o mesmo grande movimento, são pagos com o seu dinheiro.
- Tecnologia: não é preciso bridge nem conta de liquidez, mas você precisa de controles de risco sólidos: limites de alavancagem, chamadas de margem, stop out e capacidade de agir sobre a exposição.
- Outros nomes: market maker ou dealing desk.
Operar em B-book é legal e comum, mas em muitos mercados regulados isso traz regras de conflito de interesses, deveres de divulgação e exigências de capital. Seja qual for a sua jurisdição, o contrato com o cliente deve explicar com clareza como as ordens são executadas.
Híbrido: o que a maioria das corretoras de varejo realmente faz
Na prática, a maioria das corretoras de varejo opera em modelo híbrido. As contas menores e menos experientes ficam no B-book, enquanto as contas grandes ou consistentemente lucrativas são encaminhadas ao A-book para que a corretora não fique exposta a elas. Materiais do setor da Devexperts, da TradeLocker e de outros descrevem o híbrido como o padrão entre corretoras de forex e CFD de varejo.
Um modelo híbrido exige as duas infraestruturas: um provedor de liquidez e um bridge para o lado A-book, e ferramentas de risco para decidir quem vai para onde. É por isso que muitas corretoras novas começam com um modelo e acrescentam o outro quando já têm volume.
A-book e B-book lado a lado
| A-book | B-book | |
|---|---|---|
| Quem assume o lado contrário | Um provedor de liquidez | Você, a corretora |
| Receita principal | Margem sobre o spread e comissão | Spreads, comissão e perdas líquidas dos clientes |
| Risco de mercado | Baixo | Fica com você |
| Estrutura adicional | Bridge, conta de liquidez, depósito de margem | Controles de risco e uma reserva de caixa |
| Conflito de interesses | Baixo | Precisa ser gerido e divulgado |
| Comum em | Corretoras maiores e reguladas | Muitas corretoras pequenas e offshore |
"Se as operações ficam dentro de casa, como eu ganho dinheiro?"
Essa é uma das perguntas que os interessados mais nos fazem, então aqui vai a resposta direta. No B-book, os depósitos dos clientes são dinheiro real nas suas contas e as operações rodam com preços de mercado ao vivo, mas a operação em si não é enviada a um mercado externo. Você ganha o spread que define acima do preço bruto, a comissão por lote que cobrar e o resultado líquido do trading dos clientes. As suas configurações de spread e alavancagem são a sua tabela de preços.
O outro lado disso é o risco. Se os seus clientes forem lucrativos no conjunto em um mês, você paga a eles com recursos próprios. Por isso uma corretora B-book precisa de uma reserva de caixa separada do dinheiro operacional, de alavancagem sensata e de regras para saber quando reduzir a exposição ou encaminhar um cliente para outro lugar.
Com qual modelo uma nova corretora deve começar?
- Comece em A-book se você tem capital para o depósito de margem junto a um provedor de liquidez, quer baixo risco de mercado e espera volume suficiente para que as comissões cubram seus custos.
- Comece em B-book se você está começando enxuto, entende o risco, mantém uma reserva e a sua estrutura jurídica e os termos com clientes permitem isso.
- Planeje o híbrido se você espera crescer, porque em algum momento os clientes lucrativos vão precisar de hedge.
Seja qual for a sua escolha, busque orientação sobre como a sua jurisdição trata esse modelo antes do lançamento. Nosso guia sobre licenças offshore e reguladas mostra como as exigências de capital variam.
Onde a FirmForge se encaixa
Seja qual for o modelo escolhido, os controles de risco do dia a dia ficam na plataforma. Na FirmForge, você define spreads, alavancagem e tamanhos de contrato por classe de ativo, cria níveis de conta com alavancagem própria e usa alertas de chamada de margem, fechamento forçado, fechamento geral pelo administrador e uma proteção contra picos de preço a partir do back office.
A FirmForge não inclui provedor de liquidez nem bridge. Se você quiser esses serviços, contrate-os separadamente. Corretoras no plano Enterprise podem trazer o seu próprio DXtrade, cTrader ou Match-Trader.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre A-book e B-book?
Uma corretora A-book repassa as operações dos clientes a um provedor de liquidez e ganha com a margem sobre o spread ou com comissão. Uma corretora B-book mantém as operações dentro de casa, assume o lado contrário e ganha com spreads, comissões e perdas líquidas dos clientes, assumindo também o risco dos lucros dos clientes.
Operar em B-book é legal?
Sim, atuar como market maker é legal na maioria das jurisdições, mas os mercados regulados costumam acrescentar regras de conflito de interesses, deveres de divulgação e exigências de capital. O contrato com o cliente deve descrever o seu modelo de execução.
Como as corretoras B-book ganham dinheiro?
Com o spread que definem, a comissão por lote, os swaps quando cobrados e as perdas líquidas de trading dos clientes. Quando os clientes são lucrativos no conjunto, a corretora paga a eles com recursos próprios.
O que é o modelo de corretora híbrida?
Uma corretora híbrida mantém parte do fluxo de clientes dentro de casa e encaminha o restante, geralmente contas grandes ou consistentemente lucrativas, a provedores de liquidez. A maioria das corretoras de forex e CFD de varejo trabalha assim.
Qual o melhor modelo para uma nova corretora?
Um B-book exige menos capital inicial, mas traz risco de mercado e precisa de uma reserva. Um A-book exige uma conta de liquidez e um bridge, mas traz menos risco de mercado. Muitas corretoras começam com um e passam para o híbrido à medida que o volume cresce.